Lamentos



Só mais uma vaga,

uma existência que cessa...

e a lua no seu quarto crescente presta as suas honras fúnebres.

Espectros brilhantes ,repercutidos no cenário negro,

apreciam grinaldas moribundas do seu estatuto...

Comovem-se os mais renegados,

desta dormente submissão humana,

que se congratula na escultura de lápides de infortúnio.

Prantos que percorrem todos os quadrantes,

abraços abandonados reclamando respostas.

Almofadas de cetim caleidoscópio

tentam abafar as mil vozes ressonantes

de testemunhos de expiações infiéis.

Lavam-se os rostos onde se acumulam mentiras.

Recorre-se a pergaminhos,esquemas de hipocrisia,

justificam-se actos teatrais de genocídios com o fogo da génese.

Partem fortes crentes,regressão moralistas podres.

Indignação,frustração e comiseração é a recém nova santíssima trindade.

Adagas cristalinas e epifanicas surgem no meio de vultos milenares,

cortam-se pulsos imaculados mas salvam-se os ávidos profetas.

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