quarta-feira, 25 de junho de 2014

Espartilho do Amor

Mil sabores que se escondem nos amores

Sacras dores de prazeres na cedência, temores, rancores


A manigância de um buraco negro que se alarga com a corrida espartana de um sonho tornado alento


O ajoelhar cego na escolha de um mal maior do que a morte sincera
Tanta a doce mentira que se vomita quando a esquina do estomago já nem se esquiva


Não são dúvidas, mas contrições ou secretamente afrontas


A noite virá dia,
e o dia te transfigura a lúcidez de uma loucura 
Prensaste AMOR nos olhos de um puro VENENO.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Excerto do Livro "Chega-te a mim e deixa-te estar"



Parece-me ,antes,que amar é reconhecer
Reconhecer ,no sentido de quem conhece duas vezes.Por fora .E por dentro.

Reconhecer como forma de nos reconhecermos,insaciavelmente,em alguém que faz parte de nós.
Reconhecer como estranheza que se esclarece,sempre que alguém precioso nos reconhece,mesmo quando não sabemos quem somos.
E reconhecer de gratidão.Pelos gestos de reconhecimento que se trocam quando se ama.
Reconhecermos-nos em alguém...desabafa-nos.Isto é,aliviai a angústia de estarmos abafados nas dúvidas com que se constrói a nossa solidão.
E de cada vez que alguém se reconhece em nós...transforma-nos.Olha para além de nós ;olha por nós.
Sem que com isso sobreponha o seu olhar ao nosso.
Talvez amar seja,relamente ,reconhecer.E será por isso que,quando olhamos para o nosso coração,nos doa sempre um bocadinho.Porque talvez sobrem as pessoas que olham para nós,e nos achem complicados...Com o tempo ,parecem tornar-se quase nenhumas são as pessoas que olham por nós ....e nós reconhecem.
As miragens são todas aquelas pessoas que,sempre que as imaginávamos capazes de nos tornarem mais simples e compreensíveis ,nos decepionam.É por isso que as miragens nunca acontecem por influência da luz do sol,quando o olhos de frente .Só muito tarde descobrimos que as miragens nascem e crescem presas às pessoas que,em vez de janelas de simplicidade ,criam labirintos no nosso coração.E nos levam a reparar,sempre que olhamos para trás,que em vez de transparência surge opacidade.
Uma miragem é tudo aquilo que,no lugar de pessoas luminosas,cresce sob a forma de vultos,de penumbras ,e com insustentável sentimento de estranheza.Porque,com a ilusão de haver quem nos conheça ,as miragens dão-nos quase tudo o que nos faz falta.Menos o que só o amor e o reconhecimento transformam numa janela de simplicidade.

Sátira ao Homem

Vem cá e odeia-me
Pega-me ao colo e desventra-me
Olha-me na cara e escarra-me
Tens espinal médula pra isso?

Se fores capaz ,vou te respeitar o ódio
Que seja fétido o teu descarneo
Que deseja doentia a tua raiva
Deixa-me negra de insultos
Ai que não consegues,não me desapontes ....
Vou me rir da tua impotência!

Pobre diabo que me odianddo me amas
Se te sou nefasta ,dá cabo de mim
Puxa-me o cabelo
Prega-me ao soalho
Espeta-me um garfo no olho
Sou o teu espelho de irá
Não fraqueijes ergue-te e dá o teu pior!
.....ou será que é o melhor?

Chupa-me o sangue
Chamusca-me os ossos
Perdoa-te na Vida!

Pregões de Ódio

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Enfeitiço-me

Inebriante melodia que paira....

Sopro na nuca
mão ,que assustada coloco ao peito
olho para trás suavemente procurando o sorriso da identidade.

Só um pirilampo dança no meu espírito
alinho folhas de papel em branco
encho à boca de mel e cuspo jangadas de palavras

Aquele nevoeiro que me persegue....

Pinto asas nos tornozelos
Liberdade de escantilhões e lendas de poções
revisto os pés com os textos,que me engolem

Pedrinhas são lançadas as poças de chuva
círculo grotesco que transborda o selo da minha apatia

Grande amuleto aquele que carrega os meus 7 sentidos....

Diapasão

Multifacetados corpos escravos
As emoções que neles se repercutem num incessante tropeçar
A racionabilidade perde-se na sua complexa iniquidade
Prazerosas colcheias preenchem de desejo os seios
Sustenidos ansiosos oprimem o seu fôlego
Pirotécnicas claves de sol ,cientes da vastidão das suas partituras
Melodias de energia cativa que comungam
Harmonias repletas de subtileza ressonantes ao tacto
Dores de vozes graves,dilacerantes falhas promiscuas
Agudos em que a alma vibrando ,salienta a presença
Escalas ampliadas nos seus extremos compassos
Sinestesia de intensidade e altura
Interpretação de ritmos,pensamentos degustados
Pausas enfáticas duma cegueira
Orquestrações dum felicidade imortal.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

As Pontes



Somos estilhaços difusos,de mentes propensas a indignação profunda
Causamos oscilações cósmicas partilhadas no caos do infinito
Repartimos alegrias ,multiplicamos as tristezas
Colhemos olhares experiênciamos sorrisos
mas estamos longe......

Longe do amanhecer da pela,porque se torna vicio
Longe do querer que nos aprisiona na posse
Perto das parábolas surrealistas da mente
Perto da incoerência das pontes salobras

Não sei se nos perdemos ou reencontramos......
Mas construimos ligações perigosas e estranhas
Reajustamos os sentidos perante os novos trilhos de espuma
Fluindo,estabelecemos contacto incessante com a supremacia do nada


Nada.....coisa alguma.....que preenche e faz transbordar num equinócio
Morte prematura no raiar despojado e descomplacente das horas efémeras
Nem se sabe o que se ambiciona mas crava os dentes ,como zombe de vida
Déspota carenciado que mata a sede do mais brejeiro

Esticam se amarras de onde deflagram as velas do imaginário
Juntam-se histórias ,juncos, toros, cicatrizes
Ameniza-se á dor da insegurança latente
dão-se as mãos ,envolvem-se


Não sabem por onde seguem mas caminham lado á lado.